Sinais de fumo

Deitado olho extasiado para o fumo de incenso que passa espesso, aveludado e lentamente pela luz em cima da minha cama. Um slideshow de lembranças enche-me a cabeça, as últimas páginas da história da minha vida que mais parecem ter sido arrancadas a ferros a um inferno ardente. Ansiedade, reminiscência furtiva, dor que leva a querer gritar bem alto. Novas responsabilidades, novo lugar á mesa, novas incoerências de um presente vazio.
Eu, um novo homem? Certamente, mas com as veias abertas e cicatrizes que necessitam levar uns pontos para não reabrirem, e eu fecho-me dentro de mim mesmo, como se isso fosse solução, solvência da problemática para o meu interior dilacerado.
E agora que caminho seguir? Estou perdido… as forças vectoriais apontam para uma realidade que de algum modo é desejada mas também assustadora, sigo numa introspecção constante e chego sempre é mesma conclusão. Só consigo lidar com as minha problemáticas pessoais a dois nível e normalmente escolho a que está no meu controle, mas hoje, no momento em que escrevo, desejo lançar-me no mistério inerente, na vivência desconhecida, no vazio do meu ser.

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