Mudança, iniciada por uma agitação interior, evolução da mente acompanhada de um processo cronológico que apenas agora começo a perceber e a reconhecer os traços e formas. Um súbito despertar de responsabilidades e deveres que até então me eram desconhecidos. Nunca senti o peso da idade como agora (tenho 26 anos), com as pessoas que me relaciono e olhando já para uma geração mais jovem. Parece que fiquei preso algures nos meus 17 ou 18 anos nem bem adolescente nem bem adulto. No entanto este caminho que sigo fui eu que o escolhi, fui eu que lutei por ele e ajudado pelas pessoas que cruzaram a minha vida e pelas minhas vivências com elas e por elas cheguei a este ponto onde estou. Os meus pais… sem eles; eu nada conseguiria ter atingido, parte integrante do meu ser sem o serem.
Nestes últimos tempos tenho vindo a tentar delinear certos aspectos da minha vida e a entender a nossa sociedade para que me possa tentar integrar-me nela (bem em algumas partes e aceitando alguns factores que estão fora do meu alcance mudar). Vivemos uma crise global em que os bancos vão á falência, as pessoas vão levadas a crer que precisam de coisas que lhes são completamente secundárias mas que tomam um papel primordial, urgente e essencial! Ridículo; é o (des)Progresso e escravização mental…
Mas que muito seguem o ritmo, marchando ao toque do seu tambor, porque se perderem o ritmo deixam de fazer parte, ficam alienados e rejeitados.
Claro que existe um balanço e equilíbrio, e não é errado consumir isto ou aquilo ou tirar proveito dos benefícios que a tecnologia oferece, mas não nos deixando cegar e perder essa concomitância com a natureza e o que nos rodeia, sem perder o nosso altruísmo (se é que isso ainda existe), empatia e amor. Deve ser por isso que as cidades me assustam, somos tantos no mesmo espaço mas vivemos e caminhamos como se estivéssemos sozinhos, e se houver alguém que se aproxime de nós e nos peça algo ou alguém que precise de ajuda, bem isso é outro tema, ou se vira a cara na maioria das vezes ou evitam-se essas situações porque existem mil razões para as esquivar. Normalmente estamos com pressa, não podemos parar. Ah, precisamos de seguir aquela cadência, o ritmo do tambor!
No fundo estamos a perder a nossa humanidade, arraigados a tecnologias e a produtos e a consumismos e perdemos todo o discernimento e conexão á terra, ao que cresce dela e brota. Apenas uma parte da sociedade o sabe, esses são chamados de produtores primários que vivem uma existência aparentemente limitada, sofrida e básica. Contudo são eles que nos alimentam no fundo e não nem disso temos noção porque as coisas parecem melhores e mais decentes quando vêm embaladas e as tiramos das prateleiras dos nossos supermercados favoritos. E poucas vezes paramos a pensar que no fundo estamos todos conectados e que para conseguirmos ter um parafuso para segurar o novo movél que compramos (provavelmente na IKEA) é necessário uma corrente de milhares de pessoas!
Os meu ancestrais são da terra, viviam para e dela. Não usavam pesticidas, nem herbicidas, nem fungicidas, nem fertilizantes sintéticos, nem conservantes, nem hormonas, nem estimulantes, nem etc. Eu como muito do que vem da terra no seu estado mais puro graças á minha mãe e os conhecimentos que recebeu do meu avô que recebeu do meu bisavô que recebeu do meu trisavô e que me passa a mim. Quando plantar, quando colher, baseado em ciclos lunares e estações do ano. Somos saloios, somos da terra.
Eu quero basear a minha vida sobre essas directrizes, trabalhando e com árduo labor conseguir produzir da terra e viver em conformidade com as suas leis. Um estado de vida mais simples e puro. Sou da Lourinhã, vivo no Casal Lourim que em tempo foi conhecido como a estrada das flores dada a quantidade de flores que a prima Sancha punha á beira da estrada e estimava.
Sou filho desta terra!
Os tambores aqui tocam a ritmos diferentes e em direcções opostas…