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A importância dos “oceanários” na conservação dos oceanos

Por várias vezes aconteceu estar a fazer pesquisas sobre conservação de tartarugas em África, quais os stocks saudáveis de peixe para consumo em Portugal, áreas marinhas protegidas, práticas de sustentabilidade entre outros e o Oceanário de Lisboa é uma constante nos resultados dessas buscas.

A semana passada, uma pessoa do Oceanário de Lisboa perguntou-me se as pessoas ligadas a instituições como a Greenpeace e o Fundo Internacional para a Protecção da Vida Animal (IFAW), como é o meu caso, viam ou não com bons olhos o trabalho desenvolvido pelo Oceanário de Lisboa.

Oceanário de Lisboa

Esse penso ser um estigma já ultrapassado, porque acredito que desde que sejam dadas as devidas condições para os animais serem mantidos em cativeiro, e existem vários indicadores de bem-estar que podem ser monitorizados, estes transformam-se autênticos embaixadores do mundo oceânico, que permitem a milhares de pessoas (o oceanário festejou recentemente a visita do visitante 12 milhões) ter contacto com um mundo submerso que de outra forma seria totalmente impossível.

Mas uma coisa é a posição oficial da Greenpeace ou IFAW, outra é as pessoas que trabalham com eles, que nem sempre reflectem a posição pública da ONG, e que muitas vezes é algo extremista.

Penso ainda que existe uma diferença abismal entre uma instituição como o Oceanário de Lisboa e por exemplo, empresas como delfinários (onde se proporcionam espectáculos com golfinhos e outros animais, que fazem truques e acrobacias a troco de comida, para contentamento da audiência), em que nestes não é possível proporcionar um bem-estar adequado. Os golfinhos baseiam a sua vida na acústica, e para um animal que consegue distinguir uma bola com 6,5cm de outra com 7,5cm a 70 metros de distância, através de meios acústicos, uma vida numa piscina em que cada uso do seu sistema de ecolocação  se converte em tortura com o reflexo do som em todas as paredes do tanque onde estão cativos a entrar nos seus cérebros e a descarregar informação de confinamento. Estes em cativeiro deixam mesmo de usar o seu sistema de percepção sensorial.
Claro que a solução não é libertar estes animais, visto que muitos deles, já nascidos em cativeiro (que é um evento não muito comum, difícil de acontecer naturalmente e de manter as crias vivas até à idade adulta), não se adaptariam ao meio natural.
Contudo oponho-me à captura destes animais, do seu ambiente natural para piscinas de entretenimento, para satisfazer a um público que fica com uma ideia totalmente deturpada do comportamento natural destes cetáceos, da sua fisiologia, ecologia e  dignidade.

O papel do Oceanário de Lisboa, bem diferente de um delfinário, e de instituições similares na actualidade é vital para a conservação e consciencialização social para os problemas que assolam os oceanos e as criaturas que vivem e de ele dependem.

Sustentabilidade

“O Oceanário celebra a vida na Terra através de uma visão deslumbrante da vasta e complexa diversidade de seres vivos que habitam este Oceano Global, evocando o papel vital que este exerce na saúde e evolução planetária.”
Francisca Menezes Ferreira in “Pavilhão do Oceanos – Exposição Mundial de Lisboa de 1998″

As pessoas quando vêm acreditam, quando lêem, nem sempre. Ou é uma realidade tão distante que não se conseguem relacionar. É esse o papel do oceanário, aproximar realidades, e deslumbrar-nos, sempre que olhamos para aquele enorme tanque.

E esta é uma história de que como este papel é importante.

“O Pollock do Alasca (Theragra chalcogramma) caiu de “a melhor escolha” para “uma boa alternativa” para os consumidores, na última avaliação da espécie pelo Monterey Bay Aquarium, que publica a lista/cartão Seafood Watch usado por milhões de restaurantes quando encomendam peixe.

E com as falhas na governança internacional a todos os níveis que esta tenta actuar resta-nos a nós, através de instrumentos como este fazer uma escolha, e que essa seja um futuro melhor para nós e as gerações vindouras.

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