Sobre
A ideia e linhas gerais do Baleal Surf Fest surgiu em Junho de 2008 em Santiago, no Chile, durante a reunião da Comissão Baleeira Internacional (CBI), órgão internacional que decide a gestão dos stocks de grandes baleias, ou seja, o seu futuro. Em conversa com Dave Rastovich, um dos free-surfers mais conhecidos do mundo não só pelo seu desempenho com atleta de surf mas também pela sua consciência ambiental. O Dave criou, em conjunto com Howie Cooke, um artista plástico australiano, uma organização chamada Surfers for Cetaceans (Surfistas pelos Cetáceos), que se destina a consciencializar as diversas comunidades de surfistas ao redor do globo para os vários problemas ambientais que afectam os oceanos e os cetáceos (ordem biológica que engloba as baleias e golfinhos).
Durante a reunião surgiu a ideia de fazermos um evento que reunisse a comunidade de surfistas portugueses, uma vez que a reunião anual da CBI seria em Portugal em 2009. A ideia era aliar a paixão por um desporto que praticamos, o surf, a uma consciência para o meio ambiente (mais direccionado para o mar), que nos rodeia, e que faz parte integrante das nossas vidas. Organizando assim um festival com 3 temáticas: SURF, MÚSICA, e ARTE.
Um dos grandes problemas com o mar, é que quando olhamos para um pôr-do-sol, toda a magnitude de problemas que afectam os oceanos são-nos alheios e a aparente beleza de uma praia e do oceano (com boas ondas de preferência), pode esconder, submerso em si, uma profunda e longa lista de problemas associados ao uso deste pelo e para o homem, desrespeitando-o e agindo como se os recursos marinhos estivessem ali para nós os utilizarmos, sem pensar nas gerações futuras.
Há relativamente pouco tempo, conheci uma pessoa fascinante que embora de uma formação muito diferente da minha, eu sendo biólogo e ele um economista. O Prof. Rogério Roque Amaro, partilhava muitas da ideias que nutria já há muito. Ele numa conferência em São Tomé e Príncipe defendia que nós (humanos) para podermos continuar a habitar e a desfrutar deste planeta temos de repensar a nossa relação com a natureza, e passarmos deste antropocentrismo desmesurado – em que actualmente estamos a usar cerca de 5.1 planetas terra, e temos apenas 1 – a um conceito que ele chamou de “Ecobiocentrismo“.

A partir dali a forma deste evento queríamos realizar foi também delineada. De modo a envolver toda a comunidade surfista portuguesa, e concentra-la no Baleal, Peniche. Assim surgiu a ideia do BALEAL SURF FEST.
Este ano vai ser a sua segunda edição a decorrer nos dias 18 e 19 de Junho de 2010 (ver programa aqui).
O Baleal (sim o nome vem mesmo de baleia) era uma zona baleeira no século XII em que o porto de abrigo da zona ficava na Atoguia da Baleia (agora 6 kms dentro de terra), antes do assoreamento da zona, onde saiam barcos baleeiros para matar Cachalotes e Baleias Francas. Hoje o Baleal é um autêntico centro “surfistico” que atrai milhares de praticantes de surf anualmente.
O nosso (surfistas em geral) modo de vida não é dos mais amigáveis para o meio ambiente, até a própria expressão “the search” (a procura). Viajamos centenas de milhares de quilómetros em busca de ondas na nossa zona e/ou sítios mais ou menos exóticos fora do nosso país. Os materias que usamos para o fabrico dos nosso equipamentos é também ele bastante nefasto e ficamos numa encruzilhada sobre o amor que temos ao mar e ao surf e toda a outra componente ambiental que acredito que preocupa a maioria de nós (ou talvez não). Mas esta temática daria pano para mangas e é melhor por agora centrar-me no evento em si.
Dia 20 de Junho é o Dia Internacional do Surf, proclamado pela revista da modalidade, Surfing, em 2004. Daí realizar-mos o evento no fim de semana mais próximo dessa data permitindo que um maior número de pessoas possa participar.
Esperamos que seja um sucesso e que possa contribuir para criar um poder de consciência e conhecimento que permitam aos participantes e integrantes uma visão que lhes permita conhecer alguns dos problemas que afectam o mar e de acções que podem tomar para ajudar a perseverar a sua biodiversidade, a ter um mundo melhor, para eles e para as gerações futuras.
O meu melhor,


