Matando com Tecladas – Actualização sobre Portugal

Durante o mês de Fevereiro conduzi uma investigação sobre o comércio de vida selvagem através da Internet em Portugal, o chamado e-commerce.

O tráfico internacional de animais selvagens é estimado em vários bilhões de Euros anualmente – um mercado negro que rivaliza a dimensão do comércio internacional de drogas e armas. Anualmente, milhares de elefantes em África e na Ásia são ilegalmente abatidos para satisfazer a crescente procura de artigos em marfim.

A Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies de Fauna e Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção (CITES) tem três níveis de protecção para as espécies ameaçadas[1].

O maior nível de protecção é dado às mais de 800 espécies incluídas no Apêndice I, designadas como estando em perigo de extinção[2].  Com muito poucas excepções, o comércio de espécies do anexo I é proibida.  Este apêndice inclui as espécies altamente vulneráveis tais como: elefantes, tigres, gorilas e tartarugas marinhas, juntamente com um grande número de outros felinos, papagaios, periquitos, catatuas e araras.

Espécies inscritas no Apêndice II da CITES exigem uma certa regulamentação no âmbito da sua comercialização, mas não ao ponto de uma expressa interdição.  Embora o comércio possa ser admitido para espécies do Apêndice II, todo o comércio internacional ou de transferência do animal ou seus derivados exige uma licença de exportação emitida pelas autoridades do país exportador, e em alguns casos, uma licença de importação emitida pelo país onde o produto de origem animal será recebido.  Em teoria, estas restrições sobre o comércio de espécies do Apêndice II são destinadas a regular o comércio, a fim de assegurar que essas espécies não serão exploradas ao ponto de requererem protecção sob o Apêndice I.

Espécies do Apêndice III, apesar de não enfrentarem ameaça de extinção, são indicadas por cada país que deseje auxílio para proteger determinadas espécies localizadas dentro das suas fronteiras[3].

A expansão da Internet e o seu uso no nosso quotidiano revolucionou o modo como trocamos ideias, informações e mercadorias. Este sucesso é em grande parte devido à capacidade deste meio para facilitar comunicações e novas relações comerciais e sociais ao redor do globo.  Não admira que esta poderosa tecnologia se tenha difundido e tornado a maior “montra de loja” do mundo. Algumas das características desta loja virtual – sempre aberta, não regulamentada e anónima – também a fez um canal propício para o comércio ilegal de animais selvagens, um comércio que segundo estimativas oficiais anualmente excede os 15 bilhões de Euros.

O rápido aumento do uso global da Internet, os diversos interesses e actividades dos seus usuários, e a introdução de novas tecnologias e aplicações são apenas três dos desenvolvimentos que desafiam a capacidade de aplicação da lei nacional e internacional para acompanhar as acções e inovações dos criminosos que nela operam e se refugiam.

Ivory - Poaching

Actualmente, a generalidade das leis nacionais destinadas a regular o comércio dos animais selvagens a níveis ecologicamente sustentáveis estão pouco desenvolvidas, e são ineficazes para lidar com a natureza do comércio na Internet.  Mesmo onde as leis existem, a aplicação é frequentemente inadequada ou, simplesmente não é focada no tráfico de animais selvagens. Simultaneamente, a Internet proporciona uma plataforma sem precedentes para a crescente actividade de comércio ilegal de animais ameaçados de extinção, vivos e mortos.  Este novo mercado global distância o consumidor do rasto de sangue que serpenteia através da internet com origem nos locais selvagens que mais apreciamos.

Desde 2004, o IFAW tem vindo a investigar o comércio de vida selvagem na Internet.  Esses estudos revelaram um elevado número de trocas diárias de produtos de animais selvagens. Em 2004, o IFAW descobriu um alarmante e vigoroso comércio de marfim na internet no Reino Unido.  Em 2007 num relatório de acompanhamento do IFAW, focado especificamente sobre o comércio de marfim no eBay, encontrou 2,275 artigos em marfim à venda em oito websites nacionais da eBay Inc. numa única semana. Como resultado deste estudo e consultas com o IFAW, a eBay Inc. anunciou, a Junho de 2007, uma proibição global do comércio transfronteiriço de produtos em marfim para todos os seus websites nacionais.

Em 2008, o IFAW empreendeu a maior investigação sobre o comércio de espécies selvagens na internet jamais impulsionada pela organização. Os resultados da investigação foram publicados num relatório intitulado Killing with Keystrokes: An Investigation of the Illegal Wildlife Trade on the World Wide Web, e disponível em www.ifaw.org. O propósito desta investigação foi estimar o volume e âmbito geográfico do comércio global de vida selvagem na internet, identificar os principais mercados de comércio de espécies selvagens, determinar as espécies mais afectadas, e identificar as mais importantes questões e tendências relacionadas ao comércio online de espécies nos Apêndices da CITES[4].

Ivory - Poaching

É neste contexto que o presente relatório foi produzido, tendo como objectivo aprofundar a investigação feita pelo IFAW em 2008, com uma actualização sobre este assunto no contexto e âmbito Português. Pouco se sabe sobre a dimensão e gravidade do comércio de vida selvagem na Internet Portuguesa. Este relatório é a primeira tentativa de descobrir e avaliar a dimensão em Portugal do e-commerce de espécies ameaçadas da fauna e flora.

Apesar do emaranhado de leis e políticas destinadas a resolver o problema do comércio de espécies selvagens não regulamentada na Internet, a vastidão e adaptabilidade da World Wide Web, o anonimato concedido a comerciantes e compradores, a falta de consciência pública sobre a regulamentação e aplicação inadequada das legislações nacionais existentes, continuam a ameaçar todos os animais selvagens ao redor do globo.  Esta investigação visa fornecer informações ao Governo Português, aos funcionários responsáveis pela aplicação e às plataformas de Internet, a fim de lhes dar um maior conhecimento e compreensão da situação, e sugerir métodos para combater o comércio ilegal de animais selvagens.

Lançamento oficial do relatório pelo IFAW aqui (inglês)
Ler/Download do relatório aqui

Sobre o IFAW (Fundo Internacional para a Protecção dos Animais e o seu Habitat)
Como uma das organizações líder mundial em bem-estar animal, o IFAW tem representação em 16 países e realiza trabalho de protecção de animais em mais de 40. O IFAW trabalha desde a sua sede mundial nos Estados Unidos, e focaliza as suas campanhas na melhoria do bem-estar de animais selvagens e domésticos, reduzindo a exploração comercial, protegendo habitats, e prestando auxílio a animais em dificuldade. O IFAW trabalha tanto no terreno como nos corredores governamentais, numa tentativa para proteger animais selvagens e domésticos. Através da motivação do público em geral, procura prevenir a crueldade para com os animais e promover o seu bem-estar fomentando politicas de conservação que aumentem o conforto tanto de animais como de pessoas. Para mais informação, visite www.ifaw.org

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[1] CITES Secretariat. (2008). The CITES Species, from http://www.cites.org/eng/disc/species.shtml

[2] CITES Secretariat. (2008). How CITES Works. from http://www.cites.org/eng/disc/how.shtml

[3] CITES Secretariat. (2008). The CITES Appendices, from http://www.cites.org/eng/app/index.shtml

[4] IFAW, 2008. Killing with Keystrokes: An Investigation of the Illegal Wildlife Trade on the World Wide Web. 38pp

Se Portugal estuviera en América Latina seria peor que Paraguay

Esto me decía Enrique, un amigo Argentino que hace 6 años que vive en Portugal y ya conoce bien las líneas e formas de este pequeño país plantado en la costa del mar. La presente realidad Portuguesa se presenta cansada, enferma, y podrida. Somos el ejemplo a no seguir dado a los nuevos países que recién ingresaran en la Unión Europea (UE).
Todos los logros de la revolución de 1964 están siendo rechazados por un gobierno que reflete la imagen estancada de de la sociedad. Se cierran las urgencias de los hospitales, jugando con la salud de las personas como se fuera algo en que podamos ahorrar, o que resuman a apenas números. los sueldos son precarios y insignificantes se comparados a otros países de la UE, la República Checa es la demostración, ya pasó adelante nuestro y hace apenas 2 años que se juntó al paramiento europeo. Los Portugueses están pagando más impuestos porque el combate contra la fraude no ha aportado alivio a los que cumplen, corrupción en la orden del día…
La diferencia entre este o otro cualquer país de América Latina es la plata que inverte la UE, contrário Portugal estaria bien peor que Paraguay, sin dudas.

Estoy harto!! De que dejen todo por la mitad, de que nadie haga lo que tiene que hacer y estoy más que hastiado de mis propias reclamaciones. Este país que tanto quiero vive del futbol, de los EuroMillones y de la ilusión de que la semana que viene nos vamos a quedar millonarios. Una cultura de extrema obsesión por los VIP (Very Inútil People): se casan, se descasan, lo que visten, cuando sacan a la ropa, lo que comen, lo que no comen, lo que va en la cabeza y se olvidan de su propia condición, de su expresión de sus ideas y creatividad, nos limitamos a copiar…
Hay que bancarse las cosas, necesitamos de una revolución, de cambiar de verdad, y parar de servir a los intereses extranjeros!